
Hoje é aquele típico dia em que me sinto o próprio outono. Talvez seja a chuva, talvez não. Acho que a questão é profunda e está cravada dentro do meu peito. Sinto-me como o outono, trocando as folhas, revendo conceitos. Sinto-me solitária como as folhas alaranjadas que despencam das árvores sem saber ao certo se cairão sobre uma casa, sobre um carro ou sobre o chão (e que às vezes não chegam a nenhum desse lugares...). É estranho pensar que estou só, a sentir a nostalgia daqueles que julgo ser "os bons tempos" na boca... Mais complexo ainda é tentar arrumar uma explicação - se é que há uma - e ouvir argumentos completamente infundados que apenas me fazem sofrer mais.
Chove lá fora, falta paciência aqui dentro. Vejo nos jornais o mundo cada vez mais se acabando: chuvas, desmoronamentos, terremotos e mais desmoronamentos. A visão chega a ser apocalíptica e mesmo assim as pessoas se preocupam apenas com o que elas veem, enfurnando-se cada vez mais em sua própria mesquinhez... Não quero parecer moralista; longe de mim, todavia, não consigo me abster quando percebo este tipo de coisa... Para não criar confusão, apenas me afasto. Afasto-me da infantilidade. Afasto-me das palavras torpes e sem sentido. Afasto-me... Fecho-me e transformo-me em crisálida.
Hoje é aquele típico dia em que me sinto como o outono, de sol fraco e cores frias...

