sábado, 31 de julho de 2010

Caminho.


Passei a vida correndo.
Corria desesperada por caminhos torturosos.
A lua banhava as passagens estreitas, formando sombras entre as árvores e prédios...
Corria, corria e corria.
Corria buscando me encontrar...

O caminho é longo;
A busca é eterna.

É infinita a busca pela verdade, pela essência....

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dias & Dias

Capa da obra
Inspirado na poesia “Dias após dias” de Rubem Fonseca, o romance-histórico Dias & Dias, de Ana Miranda é poético e surpreendente. A obra relata a vida do poeta e escritor do Romantismo brasileiro Gonçalves Dias (1823-1864), o Antônio da apaixonada – e apaixonante – menina dos olhos “quase” verdes, Feliciana (Maria Feliciana Ferreira Dantas).
Narrado em primeira pessoa, a trama parte da infância dessas personagens em Caxias (cidade nordestina) a partir da ótica da menina; e nos conta sobre o preconceito vivido por Antônio – uma vez que ele era filho de uma escrava com um português, mulato, portanto – além de relatar o amor que o poeta sentiu por Ana Amélia (Ferreira do Vale) e sua amizade com Alexandre Teófilo (de Carvalho Leal).
Os costumes da época e do local chegam até o leitor por meio de personagens como o pai de Feliciana, além de João Manuel (pai de Antônio), da Negra (mãe biológica de Antônio), de Adelaide (madrasta de Antônio), de Natalícia (tia de Feliciana) e do Professor Adelino. Os sabiás da "Canção do Exílio" também permeiam e enriquecem a obra.
Ao contrário do que muitas vezes se espera de um romance-histórico, o livro não é maçante. A linguagem simples empregada pela narradora cativa os leitores. Além disso, os fatos inspirados nas cartas reais trocadas entre Gonçalves Dias e Alexandre Teófilo conferem um ritmo a sucessão de acontecimentos que desperta no leitor o desejo de não parar a leitura. Soma-se a isso, o lirismo Romântico que, por sua vez, deixa a narrativa harmoniosa, musical; sem se tornar, todavia, melosa e enjoativa. Aliás, poderia dizer que o fato de o livro ser romântico sem ser enjoativo foi o que me deixou apaixonada por esta obra.

“Então era aquilo o sentimento do adeus, a ventura do partir, os arpejos da liberdade tocavam meu coração e faziam meu corpo tremular, ventos e correntezas e cabelos, viver para o horizonte, então era aquilo a brisa favorável, a vasta amplidão do mundo que embriagava! As minhas horas passavam curtas e cheias de um inefável suspense, eu nunca havia experimentado aquela sensação de folha ao vento a esvoaçar sem custo, de respirar o espaço e galgar os escarcéus, nunca havia imaginado um mundo que mudasse a cada instante, nem que pudesse haver tanta amplidão de matas, e o coração impleido por algo que não era o amor, mas tão intenso quanto o amor, além das montanhas, além das nuvens, além da amplidão, partir, separa a alma da terra, deixar o pai, deixar o percurso de uma lua, uma rosa jogada às ondas do mar, palinódia!”


Ficha Técnica:
Obra: Dias & Dias
Autora: Ana Miranda
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 243
Ano da publicação: 2002

domingo, 25 de julho de 2010

Aprendizado

[Papel Manteiga para embrulhar segredos - Cartas Culinárias, de: Cristiane Lisboa]

Acho que este fim de semana me serviu para aprender. Não foi nenhuma técnica, nem algo que eu possa montar um plano de aula e pá! ensinar alguém... Não, não foi este tipo de aprendizado. Foi um aprendizado sobre mim mesma.
Durante este fim de semana, refleti sobre o que sou. Refleti e descobri (ou seria “admiti”?) que sou... Sou romântica.

[Sim, é duro dizer isso! (Risos)]

O fato que eu acho que eu sofro do drama da mulher moderna: sou independente, pago as minhas contas; sou inteligente – ou ao menos busco ser estudando e estudando... Mas, no fundo, lá no fundo, sou romântica. Quero encontrar alguém que goste de mim. Não precisa ser aquela coisa melosa – sou uma romântica moderna então, passo todo o mimimi pra outro! Risos – mas espero encontrar um alguém que... Como posso dizer?! Que tenha a postura de um namorado, sabe?! Que não dependa de mim, mas que construa comigo... Estou cansada de ter que decidir tudo sozinha. Eu já decido sozinha em todas as coisas que eu faço... Acho que já passou da hora de querer ter alguém ao meu lado que me ajude a traçar o meu caminho e que queira fazer parte deste caminho...

Mas voltando ao foco, foi ao longo deste fim de semana que eu aprendi que não posso forçar para que isso aconteça. Essas coisas não estão 100% ao meu alcance. Faço a minha parte – ou, ao menos tento – e quando tiver que acontecer, puf! Acontece. Não posso fazer alguém gostar de mim só porque gosto desse alguém...

O fato é que chegar a todas estas conclusões é muito doloroso. É ruim saber que tenho que esperar... É ruim, porque sei que tenho que esperar, mas não sei até quando. Quando vai acontecer de eu encontrar alguém bacana?! Pode ser amanhã, pode ser daqui a um mês, pode ser ano que vem, pode não acontecer... É difícil lidar com essa espera (que normalmente vem acompanhada da carência e da solidão).

Mas seguindo na minha reflexão de dois dias de pijama em frente a tv/pc, conversar com os meus amigos tem me dado força pra aceitar tudo isso e seguir em frente. Alguns por acreditarem realmente na minha felicidade, outros por acreditarem – mais do que eu mesma – na minha força, outros por lembrarem de mim, mesmo a quilômetros de distância.
Não sei o que seria de mim sem todos eles.

Enfim, acho que é isso.
Quando a gente está tentando se entender, as coisas não ficam bem claras a ponto de serem escritas...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Amizade

Amizade: 1. sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. 2. quem é amigo, companheiro, camarada. 3. relacionamento social (mais us. no pl.). 4. concordância de sentimentos ou posição a respeito de algum fato; acordo, pacto, aliança.
(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)


Tenho pensado bastante no significado da palavra amizade. O que é ser um bom amigo? Como ser um bom amigo?!
Assim como qualquer coisa que envolve sentimentos, a amizade não tem uma fórmula mágica. Pessoas são diferentes. Pessoas são imperfeitas. Diferenças e imperfeições são geradoras de coisas boas e ruins... Geram aprendizado.

Penso que a amizade deve ser algo altruísta, ou seja, deve ser um sentimento de alguém que se preocupe com o outro, independentemente do que se vá receber em troca.
Um dia desses estava pensando: vale a pena se empenhar por um amigo que me fez sofrer?! A resposta é: sim, vale e muito! Vale porque sempre vale a pena acreditar em um amigo. Ele erra, sim?! Mas quem disse que a gente também não erra?!

Confesso que o meu lado racional me fez me sentir uma perfeita idota. Eu sofri?! Sofri. Sofri e não foi pouco. Precisei pra caramba de alguns amigos no começo do semestre. Eles estavam comigo?! Não, não estavam. Eu sobrevivi!? Bem, a duras penas, é verdade, mas estou aqui. Estou aqui, livre e liberta. Sempre digo que tudo de ruim na nossa vida traz alguma coisa boa... No meu caso, descobri que podia contar com a Cah e com a Sue.

Hoje o mundo deu voltas. Minhas amigas precisam de mim. E eu? - vocês me perguntam. Pois bem, eu estou lá firme e forte. Firme e forte ainda que meu cérebro me diga que eu sou uma idiota. As coisas do coração não se explicam, não é mesmo?!

O fato é que essa filosofada toda serviu pra me fazer ver que todos nós temos que ter o discernimento para saber o que queremos para a nossa vida. Eu, por exemplo, sei que a amizade de quem está ao meu redor é importante. É esse o sentido que quero dar a palavra “amizade”. Sei também que meus amigos aprenderam com a lição. A vida ensinou, mais do que qualquer coisa que eu dissesse.

Sei que poderia ter desistido. Sei que poderia ter abdicado de tudo e de todos. Poderia. Mas e onde ficaria a amizade nisso!? Eu seria uma amiga se simplesmente virasse as costas?! Não. Eu sei que não. Amizade não é só dizer “eu te amo” nas horas boas; mas, sim, estar junto nas horas difíceis. Não é estar a todo o momento junto, mas estar nos momentos que são necessários!

Não sei se a minha postura é a mais certa; contudo, seguirei assim, pois é justamente desta forma que sou feliz! Pode ser que um dia as coisas mudem. Por hora, sou feliz pelos amigos que tenho.

___
PS: Isso tudo pode parecer clichê, mas REALMENTE acredito nisso. Acredito na amizade sincera, ainda que ela esteja cada dia mais rara...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Since the world began




  • "Since The World Began" - Isaiah 64:1-9 (New Living) -
  • (By Glory Revealed: Matt Maher, Amy Grant, Ed Cash, Mac Powell)

    Oh that you would burst from the heavens
    And how the mountains would quake
    But you would make the nations tremble
    All your enemies would learn of your fame

    How then shall we be saved
    How can we be saved

    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You
    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You

    Like autumn leaves we all wither, we all fall down
    Swept away by the wind, swept away
    Oh have mercy on us father, father
    Please don’t remember our sin

    How then shall we be saved
    How can we be saved

    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You
    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You

    Oh Lord you are our father
    We’re the clay but you’re the potter
    We are all formed by your hand
    According to your plan

    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You
    Since the world began
    No ear has heard, no eye has seen
    A God like you, Oh, a God like You

    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    ¡La fúria roja!

    ¡Estoy muy feliz por ver a España campeana!
    La fúria roja
    CASILLAS =D

    domingo, 11 de julho de 2010

    As vozes do Metrô

    Linha Vermelha - Metrô de São Paulo
    Tenho uma rotina: assim como muitos, trabalho ao longo do dia e estudo à noite. Mas entre idas e vindas, gasto três horas do meu dia cruzando a cidade, passo três horas do meu dia no metrô. Por andar sempre nos mesmos horários, alguns rostos já são familiares: mulheres e homens que vão e vêm cansados após um dia de trabalho intenso, pessoas que oscilam entre uma leitura e um cochilo... Contudo, há algo que – embora, para muitos, passe desapercebido – sempre muda: as vozes do metrô!

    Ouvir o anúncio da próxima estação sempre me faz imaginar quem está por trás daquela voz: será novo, velho, experiente na profissão ou um novato?! É casado, com filhos? Solteiro? Como será o seu rosto?!

    Muitas vezes, ao embarcar, estou perdida em meus pensamentos até que a voz profere alguma mensagem. Certa vez, retornava para casa, quando ouvi a voz de galã dizer: “Próxima estação: São Joaquim”. O som que saiu dos auto-falantes era grave, sedutor... Se o dono daquela voz for tão bonito quanto ela, é um pecado o fato de ele trabalhar no subterrâneo de São Paulo e não nas telinhas da tevê!

    Há vozes tímidas, em sua maioria feminina, que me fazem pensar que a condutora do trem é novata no trabalho e, por isso, tem vergonha de falar para o público... Ah! Não posso deixar de mencionar que, em raríssimas ocasiões, temos a presença de vozes com sotaques no metrô paulistano! Sim, já tive a honra de ouvir um “Prrrrróxxxima issstação, Braiiis”, que me trouxe à mente lembranças da Cidade Maravilhosa.

    Atualmente, o governo está atualizando os trens da cidade. Mais novos e com ar condicionado, os novos veículos dão mais conforto à população. Todavia, a voz para todos eles é programada como aquelas que ouvimos nos aeroportos. É a tecnologia, alguns dizem. Para mim, entretanto, é apenas o lamento de não ter a oportunidade de ouvir as vozes do metrô.

    sexta-feira, 9 de julho de 2010

    Caravaggio (o Filme)

    Capa da versão em DVD.
    "Toda arte contraria a experiência de vida.
    Como comparar carne e sangue com óleo e pigmentos?"


    "Incerteza e dúvida.
    Vida longa à dúvida.
    Pela dúvida, chega a inspiração."

    Um dos indicados ao Urso de Ouro, no Festival de Berlim de 1996, Caravaggio é uma obra digna do pintor que a inspirou. O filme nos mostra a biografia do artista barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio que, em seu leito de morte, relembra os fatos principais de sua vida. Perigosamente aventureiras, as histórias são permeadas pela a visão de mundo do pintor: suas convicções artíticas, sua relação com a fama, com o amor - e sua sexualidade - e com a Igreja. Tudo isso é retratado por meio de imagens tão intensas quanto a sua pintura. Esta intensidade é reforçada pelo triangulo amoroso do artista e o casal Lena e Ranuccio, que se tornaram seus modelos.
    Além disso, temos ao longo do filme exemplos claros da tensão entre o carnal e o divino, entre a riqueza e a probreza, entre o terreno e o sagrado, que são típicos do Barroco. Embora não haja uma preocupação com a reprodução de época, a produção tenta nos mostrar ao máximo a rebeldia, a sensualidade, a ironia, a irreverencia, a busca por um espaço no mundo controverso e a vida que luta pulsante até o último suspiro.
    Com uma fotografia exemplar e uma trilha sonora magnífica, Cagavaggio prende a atenção do expectador do início ao fim!

    Cena do filme:
    Caravaggio trabalhando em uma obra.
    Tilda Swinton como Lena
    serve de inspiração para o pintor.
    Caravaggio (1986)
    Direção: Derek Jarman
    Roteiro: Nicholas Ward Jackson, Derek Jarman, Suso Cecchi d'Amico
    Gênero: Drama/Histórico
    Origem: Reino Unido
    Duração: 88 minutos
    Tipo: Longa-metragem
    Idioma: Inglês / Italiano
    Legendas: Português
    Sinopse: Michelangelo Merisi da Caravaggio (Nigel Terry), tendo sua história contada em "flashbacks", o artista recorda fatos de sua curta existência na terra e nos mostra sua infância, as decepções do início de sua carreira, seus últimos sucessos, sua amizade com um cardeal e sua relação destrutiva com um jogador muito atraente. Talvez, este seja o melhor trabalho de Jarman onde nos é contada toda a história da vida do pintor, exibindo as contradições entre as crenças religiosas e sua identidade sexual. Maravilhosamente filmado em cenário que nos recordam a própria sensibilidade de Caravaggio, o filme é cheio de lindos tons azuis e vermelhos banhando os atores em luzes de velas, criando um efeito assustador e misterioso. A paixão de Caravaggio pela sua arte e também por seus modelos, o conduzem para sua queda final nesta suntuosa e desafiante biografia de um lendário pintor.

    domingo, 4 de julho de 2010

    Reflexão.




    Sentada, observava o correr do rio. Tentava entender as mudanças - pequenas nuances. Queria entender o desconhecido. Entender o mistério... Ah! Mistério delicioso daquela face... Como entendê-lo?!A vida passava, enquanto ela observava o rio: águas e sua voluptuosa força... Águas diferentes formando o mesmo corpo... Sabia que aquele rio era como ela. Suas águas corriam contra o tempo, em busca de um mar. Ela, por sua vez, corre em busca de uma felicidade que se esconde atrás de um mistério delicioso... Mas seria aquele o mistério que ela deveria desvendar?!
    Dúvida impenetrável, indecifrável...

    - Deverias cantar enquanto observas o rio – Ela ouviu Apolo dizer-lhe – Faz música, poesia... Assim a dor que sentes deixará seu coração e o menino alado te enviará a flecha certeira.
    Procurou o deus pagão. Sabia que ele estava ali e que brincava com seus olhos. Procurava-o, porém não o via. Ouvia sua lira...

    Percebera, então, que era o momento de desistir de entender... Deveria apenas sentir...