segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Distrações.

Penso na fantástica aventura desventurada da minha vida com um ar distante de quem assiste a um filme sem prestar muita atenção ao som e à imagem. Como pode tudo mudar tão rapidamente?! Em um instante, estamos todos juntos: comemos e bebemos juntos; rimos e choramos juntos... No instante seguinte, não resta mais nada além da solidão...
Aquela noite vagueia janela adentro e me lembra como é doloroso estar só. Sim, estar só é muito mais doloroso do que ser só. Quando se é só, conforma-se com um estado permanente, com a condição que lhe é imposta. Quando se está só, a coisa muda de figura. Quando se está só, tem-se que acostumar-se com o inadaptável. A dor invade-lhe o peito de uma forma que não se conta, apenas lhe leva a um nocaute profundo.
Houve momentos felizes. E é justamente esse o problema, este maldito verbo no pretérito perfeito indicando o acabado... Quando a perfeição acaba, ela era realmente perfeita?! Não sei. Hoje, enquanto tento me reerguer deste nocaute recebido da vida, penso se realmente aquilo que nomeio, tão saudosamente, por “momentos felizes” eram momentos felizes...
A Dor me puxa pelas mãos como se dissesse: Cresça e apareça. Eu tento resistir, renegar, espernear contra esta nova condição de “estar só”. No fundo sei que, como uma criança indefesa, meu medo é que o “estar só” se transforme em um impiedoso “ser só”. Tenho medo. Tenho medo e assumo isso. Assumo porque sei que assumi-lo é a melhor forma de enfrentá-lo.
Resolvo sofrer. Entrelaço minhas mãos com as mãos da Dor. Se for este o preço que devo pagar, pagá-lo-ei calada. Sei que um dia, aquela noite densa que insistentemente me visita um dia irá para outras terras distantes e que o sol voltará a brilhar. Neste dia, estarei crescida...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

(Ainda) Sobre ser poeta.


Imagem: Alone in the dark.

"Soy nada más que un poeta: Os amo a todos, ando errante por el mundo que amo."
(Pablo Neruda - poeta chileno)

domingo, 12 de setembro de 2010

Ser poeta

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
(Motivo - Cecília Meireles)

Há algum tempo estava perdida em meio à uma crise existencial: O que eu faço é poesia? É arte? Mas o meu processo criativo é o melhor? É um processo que faz arte?! Será que apenas não ordeno o que sinto em forma de versos? Isto é ou não necessariamente poesia?!

Muitas perguntas e nenhuma resposta cruzavam a minha mente como estrelas cadentes em várias direções. E quando elas atingiam o solo do meu coração, aquilo me causava uma angústia tão grande que, simplesmente, fez a minha produção poética colocar os pés no freio.

É claro que isto tudo, em um momento ou outro, viria a explidir. E eclodiu em conversas com dois dos meus amigos. Com o Renato, sempre conversei sobre o processo criativo de se escrever uma poesia. Com a Evelyn, por sua vez, falava sobre o que me leva a escrever, como as diversas sensações e vivências me fazem criar versos.

Na quinta-feira, tudo explodiu de uma forma inesperada... Queria conciliar o que sinto com o que acredito, com o que o mundo me pede... (Coitada da Evelyn que teve de me aguentar neste momento). Na sexta, ao conversar com o Renato, ele disse que me emprestaria um livro chamado Cartas a um jovem poeta, escrito por Rilke, que me ajudaria a entender melhor a relação poeta/poesia.

Sobre a obra, digo-lhes apenas que é aquele tipo de leitura para vida, daquelas que a gente mantém na cabeceira da cama para ficar relendo e relendo. Pela primeira vez, encontrei um autor que tem a mesma visão que eu tenho não só sobre a poesia, mas sobre a vida também. (Portanto, me tirou da minha crise existencial)

Abaixo, compartilho com todos a conversa que tive  hoje com o Renato. A príncipio, falava como me senti ao fazer a leitura; depois, a conversação deixou de ser apenas as impressões de leitura e passou a algo crítico a partir da nossa visão/vivência de mundo. ;)

Enjoy it!


Fê :D .see everything clearly now. diz (12:21):
*o livro foi bacana pra mim, porque ele tbm resgatou algumas coisas que eu sempre acreditei, mas que, no funfo no funfo, estava deixando de lutar por
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:22):
**fundo no fundo
*(sim, eu ainda to dormindo)
ReNaTo – diz (12:24):
*;P
*que bom
*eu pensei em você NA hora que comecei a ler
*no começo que ele fala de escrever sobre as coisas dele
ReNaTo – diz (12:25):
*que daí encontraria um estilo próprio
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:25):
*eu não me importava com isso antes
*eu acho que foi a faculdade que me deixou meio paranoica :P
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:26):
*vc começa a ler os textos com um olhar tão critico que pensa: nunca vou conseguir chegar num nível tão bom
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:30):
*mas super me identifiquei com o que ele diz sobre o que deve ser poesia, sobre o que escrever. Acho que ele conseguiu ordernar os meus sentimentos @@
ReNaTo – diz (12:31):
*:)
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:32):
*eu estava a tentar explicar pra Evelyn como é que eu sinto as coisas que escrevo
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:33):
*como as coisas que na maioria das vezes não chamariam a atenção de uma pessoa comum
*me chamam a atenção e, por vezes, mexem fundo comigo
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:34):
*eu não sei se ela entendeu
*mas no livro isso é bem claro
ReNaTo – diz (12:36):
*pois é
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:37):
*mas eu não gosto mto de falar sobre isso com quem não escreve poesias…
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:38):
*sou tão pequena, tão perdida num mundo de pensamentos e angústias
ReNaTo – diz (12:38):
*eu sei como é… dá um certo sentimento de incompreensão
*tipo “COMO que isso não te chama atenção?”
ReNaTo – diz (12:39):
*ou “COMO você não sente nada com isso?”
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:39):
*foi engraçado
*a gente estava chegando no metrô, eu pra ela: por exemplo, o que vc sente com esse vento que bate no nosso rosto agora?
*ela: frio U.U
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:40):
*eu: tá vendo? eu já penso em coisas completamente diferentes
*ela: como?
*eu: sei lá, eu já passo a pensar em como o frio do vento contrasta com o calor do meu corpo e como essa sensação me deixa sentindo solitária
*ela: Oo
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:41):
*tipo, a forma de captar o mundo é diferente
*até hj ela se impressiona pq eu gosto de ver os passarinhos nas árvores e sei a diferença de um sabiá pra um bem-te-vi
*:P
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:42):
*eu paro pra pensar em coisas que pras pessoas passam batido
*e é isso que coloco nas coisas que escrevo
ReNaTo – diz (12:42):
*eu não sei essa diferença de passarinhos :P
*mas é bem por aí
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:42):
*mas não exatamente como elas são, mas sim como as sinto
ReNaTo – diz (12:42):
*a forma de captar o mundo é diferente
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:43):
*o sabia tem o peito vermelho/marrom só canta 6 meses ao ano. o Bem-te-vi tem o peito amarelo @@
ReNaTo – diz (12:43):
*o seu “processo” de criação é ainda diferente do meu
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:43):
*sim, o é. mas isso não faz o seu processo melhor que o meu e vice-versa
ReNaTo – diz (12:43):
*o seu é mais próximo do descrito pelo Rilke
ReNaTo – diz (12:44):
*comigo geralmente é algo a ser dito
*eu tenho algo pra dizer
*algo que pode ser banal
*pode parecer* banal…
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:45):
*mas aí é que tá o x da questão: o que pra td mundo é banal, pra vc não o é
ReNaTo – diz (12:45):
*e eu tento colocar de um modo que não seja banal. Que seja impactante
*alguma sensação de vazio, ou de solidão
*que se for dito só “eu estou só” não vai ter o mesmo impacto do que se for colocado de um modo lúdico
ReNaTo – diz (12:46):
*e comigo tem muita construção “intelectual”
*coisas que realmente não fazem diferença e que colocados de um jeito diferente ficam “adornadas” e por isso chamam a atenção
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:46):
*no fundo, não importa o processo, a poesia sempre vai ter o mesmo o propósito: transmitir um sentimento tentando dar um chacoalãho em quem a lê. A poesia no fundo faz isso…
ReNaTo – diz (12:47):
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:47):
*e isso que você disse é o que me atrai na poesia… às vezes, 2, 3, 4 versos têm muito mais impacto do que 600 páginas de prosa.
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:48):
*a poesia é um texto mto denso em pouco espaço
*é multifacetado! :D
ReNaTo – diz (12:48):
*sim
*a prosa funciona de outra maneira
ReNaTo – diz (12:49):
*prosa é mais “contextual”; poesia independe disso
*não importa se o poeta sofre ao escrever ou se chora
*você vai sentir o que está escrito
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:49):
*outra coisa que ele disse que eu concordo plenamente desde sempre é que a gente tem que ir pelo caminho mais difícil
*a poesia é essa busca incansável
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:50):
*pq colocar um sentimento/fato grandeoso em alguns versos, definitivamente é mto mais dificil xD
ReNaTo – diz (12:50):
*agora a fala de uma personagem tem todo um contexto
*sim
ReNaTo – diz (12:51):
*uma eterna estrada de pedras :P
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:51):
*é… já diria o Drummond que no meio do caminho tinha uma pedra
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:52):
*fugir delas é mto mais fácil e menos doloroso
ReNaTo – diz (12:52):
*fê, sem brincadeira :P , pra te ser sincero, eu nunca entendi esse poema hehe
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:52):
*mas quem as enfrenta cresce numa velocidade absurda
ReNaTo – diz (12:52):
*sim
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:52):
*a forma desse poema é fantastica
*pq ele cria uma encruzilhada com as inversões
*xD
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:53):
*a velocidade do crescimento, muitas vezes é proporcional ao sofrimento… é um preço que se paga
ReNaTo – diz (12:53):
*encruzilhada?
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:53):
*sim
ReNaTo – diz (12:53):
*sim
ReNaTo – diz (12:54):
*ontem estava pensando
*quanto mais você apanha, quanto mais sofre, mais aprende a lidar com o sofrimento
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:54):
*mta viagem mas não dá pra eu explicar aqui… precisaria de fazer um desenho ou um gesto pra vc entender xD
ReNaTo – diz (12:54):
*você aprende
*(e isso já tinha no texto do Rilke)
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:54):
*sim, aprende e fica mais forte
*e é engraçado
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:55):
*pro mundo, eu acho que fica mais frio
*mas pra si mesmo, mais sensível
*entende?
ReNaTo – diz (12:55):
*sei
*você “absorve”
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:56):
*porque você passa a ignorar coisas que pros outros são fundamentais. Chega um momento que você aperta o foda-se. (Y)
ReNaTo – diz (12:56):
*o mundo pára de te afetar, mas você absorve o que aconteceu. Você “ganha” o sentimento de prêmio
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:56):
*por outro lado, há coisas que vc passa a sentir com uma profundidade, sensibilidade absurdas
*mas que, por serem só suas, o restante não entendem
ReNaTo – diz (12:57):
*detalhe… (pára, de parar, tem acento ainda? não, né?)
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:58):
*não mais
ReNaTo – diz (12:58):
*quando eu começo a acentuar essas porra, elas mudam ¬¬
Fê :D .see everything clearly now. diz (12:58):
*XD
ReNaTo – diz (12:59):
*Poeminha do Contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
*:P
ReNaTo – diz (13:01):
*vou colocar essa conversa no meu blog
*posso :) ?
Fê :D .see everything clearly now. diz (13:02):
*adoro o poeminha! :)
*Coloque :D *acho que vou colocar lá no algumas tbm... pode?
ReNaTo - diz:
*a vonts :)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Estudo

Nem voltaram as aulas e já me deparo com um milhão de coisas a serem feitas: um trabalho sobre Arthur Miller, outro sobre o Rubem Alves, mais o de estudo sincrônico da Língua Portuguesa e o tão temido trabalho de obrigatório de estágio (Manual de Textos Técnicos). Somado a isto, deparo-me com a leitura - também obrigatória - de 7 obras diferentes... 

Tudo seria muito simples, se não tivesse um prazo a ser cumprido de 3 míseros meses (agosto, setembro e outubro) e uma rotina nada flexível: trabalho, monitoria e aulas (durante a semana), mais curso (aos sábado).

Sempre soube que uma universidade não é um mar de rosas e que um curso, quando bom, suga do aluno "lágrimas, sangue e suor"; contudo, sinto isto na pele. Passar quatro dias de um extenso feriado preparando aulas, lendo e redigindo o Manual não é nada fácil... Abdicar dos amigos e da família não é nada fácil... Passar horas a fio em frente a um computador também não é nada fácil...

Sei que falta pouco. Mas também sei que talvez estes sejam os 4 meses mais longos da minha vida: sobreviver ao fim do semestre significa, para mim, a realização de um sonho de uma vida inteira. Sobreviver ao semestre e me formar... Sobreviver ao semestre e finalmente ser uma profissional de Letras não vai ter preço!

Espero que, até lá, as pessoas tenham paciência. É bem provável que eu suma do blog, das redes sociais (reais e virtuais), dos passeios... 

Viver no mundo dos heterônimos, das artes, das peças de teatro, das atas, requerimentos, cartas, procurações, currículos, dos rios e das flores a falarem o português de Portugal (que, diga-se de passagem, eu AMO) é uma overdose em tempo record. Tudo exige o máximo e o melhor de mim, por isso, desejo que tudo dê certo... É aquela velha história: quem viver, verá!